Secretaria Municipal de Esportes e Lazer
“A VÁRZEA É NOSSA!”: Conheça a trajetória do “Vovô” que marcou a história do futebol de várzea na cidade de São Paulo
O que o futebol de várzea pode simbolizar na vida de uma comunidade inteira graças a uma única pessoa que dedicou sua vida a essa causa? Para Nilson Gonçalves, a várzea é muito mais do que a essência do futebol amador brasileiro. Para Nilson, a várzea é comunidade, cidadania, oportunidade. Ou, como diria o famoso “Vovô da várzea”: “A várzea é nossa!”
Nascido em 13 de junho de 1944, em meio às ruas de terra do subúrbio paulistano, Nilson jogava bola com seus amigos até mesmo em dias de chuva, com bolas feitas com bexiga de porco. Aos nove anos de idade, Nilson aprendeu o fundamento mais marcante de sua carreira, a “bicicleta”, que mais tarde se tornaria o “Vovô da várzea”. Acumulando até hoje, 12 gols de “bicicleta” durante sua trajetória.
Aos 82 anos, Nilson segue honrando sua alcunha ao jogar futebol todos os sábados com o grupo “UTI”, Unidos da Terceira Idade. Além de dar aulas para crianças e jovens durante a semana no Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador (CERET), local no qual Nilson frequentou durante muitos anos e ficou conhecido pela comunidade graças ao fortíssimo trabalho de base realizado e incentivado dentre os moradores da região.
No decorrer de sua trajetória no esporte, Nilson descobriu a importância dos treinos de fortalecimento para os jogadores, e após ser incentivado por um amigo que treinava frequentemente para a corrida São Silvestre, passou a realizar treinos diários de corrida após o trabalho, que aumentaram sua capacidade cardiorrespiratória e sua aptidão física até os dias de hoje.
Ao longo de tantos anos de experiência, o “Vovô da várzea" desenvolveu seus próprios métodos de disciplina e excelência que devem ser seguidos por todos os seus alunos. Segundo Nilson, ele não ensina ninguém a jogar bola, e sim repara deficiências específicas de cada jogador em determinados movimentos, o que resultaria em melhores resultados com o tempo.
“Tenho o máximo respeito em relação às pessoas…É por isso que eu só tenho amigos”, relata Nilson diante de sua vasta experiência ao realizar trabalhos sociais e voluntários durante toda a sua vida. A trajetória de Nilson Gonçalves nos ensina constantemente sobre resiliência e empatia, já que graças ao seu intenso trabalho voluntário em prol da comunidade, durante um momento de adoecimento, ele recebeu ajuda de toda a comunidade. “Quando eu precisei, o pessoal fazia rifa da camisa, me dava o dinheiro e levava na minha casa junto com uma cesta básica”.
Nilson relata que próximo à sua casa havia um antigo córrego que foi canalizado para a construção de uma antiga pista de cooper, hoje o local contém amarelinha, zigzag, escadinha e a tabuada, todas desenhadas no chão por Nilson, por valorizar a importância da atividade física e a capacidade de memorização entre as crianças e adolescentes do bairro.
"A várzea me ajuda até hoje…No meu aniversário ganhei duas cestas básicas, dois pares de tênis, três troféus, quatro bolas…” .Nilson relata que as bolas, dadas pela Secretaria Municipal de Esportes e Lazer, foram repassadas para frequentadores do CERET, provando que o “Vovô da várzea” segue plantando o bem para a sua comunidade, o que permite a perpetuação do esporte e da várzea na capital. “E quando eu preciso de algum apoio social, eles (comunidade) estão prontos para ajudar. Isso é gratificante!”, continua o “Vovô”.
Ao ser pedido para resumir a várzea em uma palavra, Nilson clama: “A várzea é nossa!”. E segue demonstrando sua gratidão em nome de todos que vivem da várzea como ele. Após anos e anos de cumplicidade e união em meio a tantas comunidades, Nilson segue ensinando a diversas gerações o poder do esporte, a magia da várzea, e o valor do respeito. Que todos nós sejamos um pouco “Vovô da várzea” também.
Texto: Ana Azeredo | anaazeredo@prefeitura.sp.gov.br
Fotos: Arquivos - Nilson Gonçalves
Arte: Otávio Oliveira | otaviorodrigues@prefeitura.sp.gov.br
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