Secretaria Executiva de Mobilidade e Trânsito
Faixa Azul reduz em 26,6% gravidade das ocorrências com motos em São Paulo
A Prefeitura de São Paulo encaminhou à Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) o 2º Relatório Consolidado da Faixa Azul, com a avaliação técnica dos trechos implantados na capital entre janeiro de 2022 e dezembro de 2025. Elaborado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), o estudo analisou 233,3 km de Faixa Azul implantados em 36 vias (46 trechos) e apontou uma redução de 26,6% na taxa de severidade dos sinistros com motos nos locais avaliados, na comparação entre o antes e o pós implantação.
A taxa de severidade é um indicador técnico usado para medir a incidência e a gravidade das ocorrências de trânsito. Ela considera pesos diferentes para sinistros com feridos e mortes e relaciona esses dados ao volume de veículos, ao período analisado e à extensão do trecho.
Segundo o relatório, essa taxa foi de 2,5, na média, dentro da Faixa Azul, contra 23,9 nas faixas de rolamento sem a sinalização. Na prática, significa que a incidência e a gravidade dos sinistros fora da Faixa Azul é 9,5 vezes maior do que dentro da sinalização.
O relatório também esclarece um dos principais questionamentos ao projeto: a hipótese de que a Faixa Azul estimularia o aumento da velocidade das motos. Os dados da CET, enviados à Senatran nesta quarta-feira (29), indicam o contrário.
Após a implantação da sinalização, houve redução média de 5,5% na velocidade pontual das motocicletas, passando de 54 km/h para 51,1 km/h, além de queda de 4,3% na velocidade operacional, indicador usado para avaliar o padrão predominante de circulação nas vias. Nos pontos próximos a radares, o índice de desrespeito ao limite regulamentado passou de 44,2% para 27,6%.
A avaliação positiva também aparece na pesquisa de opinião realizada pela CET com usuários das vias. Entre os motociclistas entrevistados, 91,9% afirmaram preferir utilizar a Faixa Azul e 93,9% disseram que a sinalização melhorou o convívio no trânsito. Entre os motoristas, 86,4% avaliaram a sinalização como boa ou ótima.
O índice médio de utilização é de 81%, segundo o estudo, o que evidencia forte adesão dos usuários, enquanto os 19% que ainda circulam fora da faixa concentram proporcionalmente mais sinistros e maior gravidade, configurando fator relevante de risco.
A experiência de São Paulo também tem atraído interesse internacional, com pedido de informações técnicas da França e intercâmbio com a Espanha, reforçando o papel da capital como referência em segurança viária para motocicletas.
Com os novos dados, a Prefeitura de São Paulo reforça o pedido para continuidade e ampliação da Faixa Azul em São Paulo. A cidade aguarda autorização da Senatran para avançar com cerca de 80 km de novos trechos já projetados e solicitados pela CET. Os resultados consolidados demonstram que a expansão da sinalização deve ser tratada como medida de segurança viária, diante da redução da gravidade dos sinistros, do controle de velocidade e da melhora do convívio entre motos, veículos e pedestres.
Princípios
O objetivo da Faixa Azul é reorganizar o espaço viário, proporcionando mais segurança aos motociclistas e harmonizando a convivência entre os diferentes modais. O projeto é baseado em dois princípios de segurança viária. Visão Zero, que é uma abordagem da gestão do trânsito pela qual nenhuma morte relacionada a sinistros é aceitável – todas são evitáveis. E pelo Sistema Seguro, uma forma de projetar o viário de forma a evitar que erros humanos sejam cometidos por pedestres, ciclistas, motociclistas ou motoristas, possam ocasionar ferimentos graves ou mortes.
HAND TALK
Clique neste componente para ter acesso as configurações do plugin Hand Talk
