Secretaria Municipal da Saúde
Hospitais da rede municipal recebem certificação internacional de atendimento ao AVC

Profissionais dos hospitais do Campo Limpo e M'Boi Mirim na cerimônia da Global Stroke Alliance 2026 (Acervo/SMS)
A rede municipal de saúde de São Paulo alcançou reconhecimento internacional nesta sexta-feira (19). Durante a cerimônia de encerramento da Global Stroke Alliance 2026, no Centro de Convenções Rebouças, na capital paulista, o Hospital Municipal Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha (Campo Limpo) e o Hospital Municipal Dr. Moysés Deutsch (M'Boi Mirim) receberam a certificação como Centros de Referência de Acidente Vascular Cerebral (AVC).
A chancela é concedida pela World Stroke Organization (WSO) em parceria com a Sociedade Ibero-Americana de Doenças Cerebrovasculares. O programa de certificação, idealizado ainda durante a pandemia, surgiu da necessidade de criar um modelo de avaliação de qualidade com base em evidências que superasse a barreira dos altos custos cobrados por selos privados estrangeiros. A certificação é totalmente gratuita tanto para hospitais públicos quanto privados e já premiou mais de 120 centros em toda a América Latina.
Para conquistar o título, as unidades paulistanas passaram por um rigoroso processo de auditoria presencial, em uma mobilização que já avaliou mais de 100 hospitais apenas no Brasil. A certificação exige o cumprimento de 100% dos critérios obrigatórios estabelecidos e de, pelo menos, 75% dos recomendados para a excelência no tratamento da doença, desde a porta de entrada até a intervenção clínica.
Os profissionais que atuam diretamente nessas duas unidades celebram o reconhecimento, que valida o esforço diário para melhorar o sistema público de saúde. A médica neurologista Rafaela Almeida Alqueres, que faz a gestão do protocolo de AVC do Hospital M'Boi Mirim, destaca a mobilização necessária para atingir os indicadores da WSO: "Ninguém chega num certificado tão grande, internacional, sem trabalhar em equipe, sem a ajuda de muitas pessoas. Principalmente da equipe da prática médica do nosso hospital, que é uma equipe muito dedicada e preocupada com essa questão de indicadores", afirmou.
A visão é compartilhada pelo neurologista e coordenador da Linha de Cuidado do AVC no Hospital Campo Limpo, Júlio Cesar Pereira Filho. "Essa certificação é resultado de um trabalho que vem sendo construído a múltiplas mãos há bastante tempo. Com foco no cidadão, a gente tem conseguido demonstrar que é possível fazer num contexto de SUS um trabalho de excelência devolvendo pacientes para as suas famílias da melhor maneira possível", declarou.
Outras unidades recebem o Prêmio Angels
O evento também foi palco do reconhecimento de outras unidades paulistanas com o Prêmio Angels. A certificação, validada pela WSO, homenageia instituições que monitoram continuamente a qualidade do serviço e atingem metas rigorosas de excelência no cuidado ao AVC. Além do Hospital Municipal do Campo Limpo, premiado também nesta, foram certificados:
- Hospital Municipal Prof. Dr. Alípio Corrêa Netto (Ermelino Matarazzo)
- Hospital Municipal Tide Setubal (São Miguel)
- Hospital Municipal Dr. José Soares Hungria (Pirituba)
- Hospital Municipal São Luiz Gonzaga
- Hospital Municipal Adib Jatene (Brasilândia)
- Hospital Municipal Josanias Castanha Braga (Parelheiros)
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) também foi reconhecido. Do Estado, receberam a certificação o Hospital Geral Santa Marcelina do Itaim Paulista e o Hospital Geral do Grajaú.
O reconhecimento é fruto do projeto Acesso Rápido AVC-360, que busca integrar os serviços da rede de atenção à urgência – Samu 192, Unidade de Pronto Atendimento (UPA), Assistência Médica Ambulatorial (AMA) – e hospitais para o atendimento rápido ao paciente com suspeita de AVC, por meio de fluxos definidos e comunicação eficiente entre os pontos de atenção.
A importância das certificações na rede municipal de São Paulo se reflete na urgência do cenário nacional. O AVC é a principal causa de morte no Brasil, registrando cerca de 106 mil óbitos anuais. Sem o tratamento rápido e adequado, 70% dos pacientes não voltarão ao trabalho, 50% passarão a viver dependentes de terceiros para atividades diárias e 30% desenvolverão demência em até um ano. "Nesse contexto, a linha de cuidado do AVC se tornou uma das prioridades estratégicas da atenção hospitalar”, disse o secretário-executivo da Atenção Hospitalar, José Carlos Ingrund, durante a mesa de abertura da Global Stroke Alliance 2026, na última quarta-feira (17).
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