Secretaria Municipal da Saúde

Exibindo 1 para 1 de 3
Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2026 | Horário: 11:00
Compartilhe:

Janeiro Branco: Prefeitura de São Paulo oferece tratamento humanizado para ansiedade e depressão em UBSs e Caps

Estes equipamentos, considerados porta de entrada para o atendimento, oferecem redes de apoio a pacientes com sofrimentos mentais
A imagem mostra um close das mãos de uma pessoa sobre uma mesa branca. Ela segura uma caneta azul e escreve em um recorte de papel colorido, em formato arredondado, colocado sobre um livro amarelo. No papel está escrito à mão

Na rede municipal de saúde de São Paulo, o ponto de partida para o tratamento de transtornos mentais são as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os Centros de Atenção Psicossocial (Caps). A partir deles, o paciente pode ser encaminhado para outros equipamentos, conforme a necessidade singular de cada caso.

Nos últimos cinco anos, a cidade ganhou 13 novas UBSs, que passaram de 468 para 481. A rede de cuidados da capital foi ampliada desde 2021, com a criação de 21 novos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), totalizando atualmente 104 unidades na cidade. Nestes dois tipos de equipamentos, a ansiedade e a depressão respondem pela maior parte dos atendimentos: 225.494 casos de janeiro a novembro de 2025, o que representa 25% do total para doenças mentais.

Esses números refletem o relatório mais recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) que mostra que a ansiedade e a depressão são as doenças mentais mais comuns do mundo, atingindo mais de 690 milhões de pessoas, o que corresponde a 63% de todos os transtornos. 

“Dos atendimentos para saúde mental, a maior prevalência é para a ansiedade e a depressão, o que está relacionado, entre outros fatores, à mudança dos nossos hábitos de vida”, analisa a psiquiatra Cláudia Ruggiero Longhi, diretora da divisão de saúde mental da Secretaria Municipal da Saúde (SMS).

Rede de apoio 
“Antes eu estava no escuro e agora estou no claro. Eu não tinha ninguém para me ajudar nem para conversar. Hoje posso contar com essa rede de apoio nos momentos de recaídas”, conta Luciana Ramos Domingues, 42 anos, que faz tratamento para depressão, ansiedade e TOC há três anos no Caps Adulto III Jardim São Luiz, na zona sul da capital. Os Caps contam com equipes profissionais multidisciplinares, que desenvolvem projetos terapêuticos individuais, de acordo com cada caso.  

Duas vezes por semana, ela frequenta o local, onde passa por atendimento psiquiátrico e psicológico, além de fazer terapia individual e em grupo. Ela participa de oficinas de artesanato que estimulam a concentração e o foco, como também promovem o empreendedorismo. 

“Cada conquista no campo da saúde mental é um processo, que pode ser mais demorado. As recaídas fazem parte da caminhada, mas é preciso buscar as estratégias para sair dessas situações”, explica a enfermeira Miriam Silva do Nascimento. 

Adolescentes
Um terço dos Caps - 34 de 103 - é voltado para o público infantojuvenil. No Caps IJ III Aricanduva, um dos grupos reúne adolescentes, entre 14 e 17 anos de idade, que apresentam quadros ansiedade, depressão e dificuldade de socialização. 

"A terapêutica em grupo é uma oportunidade de estimular a convivência presencial, já que os adolescentes só estabelecem relações pela internet”, explica Cleber Henrique de Melo, terapeuta ocupacional e gerente da unidade. “Sem dúvida, estamos colhendo os efeitos da pandemia, quando eles ficaram isolados, em casa, sem a possiblidade de exercitar suas habilidades sociais”. 

A adolescente C.L., de 15 anos, é uma das participantes desse grupo, que aborda um tema a cada encontro semanal.  “As pessoas acolhem e não julgam porque todos estão passando por situações parecidas. Na semana passada, falamos sobre sentimentos como raiva, ódio, alegria”, diz.  

Para estimular a socialização, o grupo realiza passeios para parques, cinemas e museus, que são sugeridos pelos próprios adolescentes. Como eles gostam de mangás, animes e doramas, eles fizeram um passeio ao bairro da Liberdade. “Nós fomos ao Museu de Artes de São Paulo (MASP), ao Museu Catavento e à Bienal de São Paulo. Eu gosto bastante porque conheço lugares novos”.

Como o apoio familiar é fundamental, a unidade também oferece atendimentos para os pais dos adolescentes. “É importante que os pais participem desse processo de cuidado e apoio. Geralmente, o sofrimento não é individual e existem problemáticas associadas com a dinâmica familiar”, explica Melo.

collections
Galeria de imagens