Secretaria Municipal da Saúde

Sexta-feira, 31 de Julho de 2026 | Horário: 11:00
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Mulheres atendidas por UBS da zona sul lançam livro com histórias de vida

Publicação reúne relatos produzidos por participantes de grupos da UBS Jardim Selma e mostra como a escrita fortalece a autoestima, o pertencimento e o cuidado em saúde mental
A imagem mostra uma mulher sentada à mesa durante uma sessão de autógrafos, assinando um exemplar de um livro.  Ela sorri enquanto escreve na página de dedicatória com uma caneta azul. Está vestindo uma blusa preta com detalhes em renda branca sobre uma camiseta preta e usa um colar delicado e um broche na altura do peito.  Sobre a mesa branca, à esquerda, há um vaso branco com um arranjo de flores artificiais em tons de rosa, lilás e branco, que ajuda a compor um ambiente acolhedor. Ao fundo, um painel decorativo em tons de rosa, com efeito de brilho e pequenas estrelas, reforça o caráter comemorativo da ocasião.  O livro aberto revela o início do texto, com o título

Maria Aparecida Ribeiro da Cunha, co-autora do livro e uma das mulheres que frequentam a UBS Jardim Selma (Acervo/SMS)

Nesta terça-feira (29), mulheres atendidas pela UBS Jardim Selma celebraram o lançamento do livro produzido no projeto "Autobiografia como dispositivo de cuidado: relato de experiência em grupos de mulheres", que reúne textos escritos por participantes dos grupos realizados na unidade desde 2022.

A publicação reúne trajetórias marcadas por violência, abandono, racismo e sofrimento emocional que, ao serem colocadas no papel, ganharam novos significados. A iniciativa mostra como a escrita pode se tornar uma ferramenta de cuidado em saúde mental, fortalecendo a autoestima, o pertencimento e a autonomia das participantes.

Coordenadora do projeto, a psicóloga Andrea de Jesus Capim se emocionou ao ver o trabalho concretizado. "É indescritível a emoção de ver o projeto concluído e chegando às mãos dessas mulheres. As autobiografias são delas, mas todo o percurso foi realizado coletivamente", afirmou. Segundo Andrea, revisitar a própria história permitiu que muitas participantes enxergassem suas experiências sob uma nova perspectiva. "Elas conseguiram olhar para as próprias histórias, dar um novo sentido, perceber quantas violências haviam sido naturalizadas ao longo da vida e entender que era possível interromper esses ciclos", explicou.

Superação
A diarista Maria Aparecida Ribeiro da Cunha, de 56 anos, é uma das autoras da coletânea. Escrever sobre a própria trajetória não foi fácil, mas transformou sua forma de olhar para si mesma. "Foi muito gratificante concluir esse livro. Eu tive muita dificuldade para escrever, porque significava voltar a coisas que eu não queria mais lembrar. Mas, quando peguei o livro nas mãos, percebi que sou muito mais forte do que imaginava. Passei por tanta coisa e consegui vencer", contou.

Ao revisitar sua história, marcada por inúmeras dificuldades, Maria Aparecida encontrou também motivos para se orgulhar. "Hoje eu vejo que não sou só uma doméstica que não teve oportunidade ou uma pessoa que sofreu. Eu sou uma pessoa forte. Criei meus filhos, ensinei valores, trabalhei honestamente. Minha trajetória é verdadeira e eu consegui vencer. O livro me fez entender isso e sentir orgulho de quem eu sou."

A massoterapeuta Ângela Cruz Medeiro, de 64 anos, também descreveu o lançamento como a concretização de um processo de superação. "Foi uma emoção inexplicável. Quando comecei a escrever, pensei: 'Será que eu vou conseguir?'. Eu tinha medo de errar, porque durante muito tempo ouvi que eu não sabia. Escrever foi muito bom. Ver esse livro pronto foi melhor ainda", disse.

Ela conta que a escrita trouxe à tona lembranças que sequer haviam aparecido nas rodas de conversa e permitiu elaborar dores antigas. "Escrever me ajudou a superar não só esses traumas, mas tantos outros. Consegui colocar no livro coisas que nunca tinha conseguido dizer." Para Ângela, o grupo também ensinou que a transformação acontece primeiro a partir do olhar sobre si mesma e depois da escuta das experiências de outras mulheres. "A gente percebe que não está sozinha."

Mais do que reunir histórias de vida, o livro reforça o papel da Atenção Primária à Saúde como espaço de acolhimento e cuidado. Ao transformar memórias em narrativas, o projeto desenvolvido na UBS Jardim Selma mostra que a escrita pode ser uma ferramenta terapêutica capaz de romper silêncios, fortalecer vínculos e abrir caminho para novos recomeços.

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