Secretaria Municipal da Saúde

Quinta-feira, 18 de Junho de 2026 | Horário: 13:00
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Nuvis-AB fortalecem vigilância em saúde nas UBSs

Estratégia inovadora da Prefeitura de São Paulo organiza as ações de Vigilância na Atenção Básica em todas as regiões da cidade

Os Núcleos de Vigilância em Saúde na Atenção Básica (Nuvis-AB) são uma estratégia implantada pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo para fortalecer a atuação da vigilância em saúde dentro das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), reforçando ainda mais as ações de promoção, prevenção e o monitoramento de doenças, agravos e riscos nos territórios. 

Instituídos pela Portaria SMS nº 741/2022, os núcleos atuam como equipes de referência responsáveis por articular ações de vigilância em saúde nas unidades, tendo a epidemiologia como ferramenta para gestão do cuidado. 

Na prática, os Nuvis-AB reúnem profissionais de diferentes categorias profissionais das UBSs, como médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde (ACS), agentes de promoção ambiental (APA), dentistas, farmacêuticos, psicólogos, assistentes sociais, profissionais da saúde bucal e equipes multiprofissionais. O objetivo é analisar informações epidemiológicas na área de abrangência da unidade, identificar situações de risco e planejar intervenções voltadas às necessidades específicas de cada território.

“São Paulo foi pioneira na implementação dessa estratégia, que fortalece a Atenção Básica e amplia a capacidade de resposta para situações de saúde nos territórios”, diz Selma Anequini Costa, assessora técnica da Coordenadoria de Atenção Básica e responsável pela implementação dos núcleos.

Atualmente, a cidade conta com 485 Nuvis-AB implantados nas UBSs e Centros de Saúde Escola, envolvendo 5.137 integrantes distribuídos em todas as Coordenadorias Regionais de Saúde (CRSs). Juntos, os núcleos já elaboraram 1.435 planos de ação de vigilância em saúde na Atenção Básica, voltados a diferentes desafios identificados nos territórios.

Territorialização: conhecer a realidade local
Selma explica que o modelo de atuação dos Nuvis-AB se baseia na territorialização e na epidemiologia aplicada ao cotidiano das unidades. As equipes analisam dados populacionais, perfil epidemiológico, condições ambientais, desigualdades sociais e fatores que impactam diretamente a saúde da população. Os núcleos também permanecem atentos a qualquer situação inesperada em saúde, seguindo as orientações e diretrizes das Supervisões Técnicas de Saúde (STSs) e Unidades de Vigilância em Saúde (Uvis) na sua área de abrangência.

Após a análise do território, os núcleos desenvolvem estratégias de intervenção e prevenção adaptadas às características locais. Entre os temas mais abordados nos planos de ação estão doenças crônicas não transmissíveis, sífilis, tuberculose, arboviroses, esporotricose, saúde da população idosa, violência e questões ambientais relacionadas ao território.

Outro diferencial da iniciativa é a diversidade de experiências desenvolvidas nas diferentes regiões da cidade. Há núcleos voltados, por exemplo, à saúde da população indígena, como os das três UBSs Indígenas nas regiões norte e sul, ações articuladas com equipes de Consultório na Rua, além de projetos de georreferenciamento de casos, monitoramento epidemiológico e integração entre vigilância e assistência em diferentes territórios.

A imagem mostra um grupo de pessoas reunidas em torno de uma mesa durante uma atividade colaborativa, aparentemente em um ambiente educacional, comunitário ou de planejamento participativo.  Os participantes estão sentados ao redor da mesa analisando materiais impressos, gráficos, tabelas e esquemas visuais distribuídos sobre uma grande folha de papel. Uma das pessoas desenha ou faz anotações em um diagrama ilustrado, enquanto os demais observam e discutem o conteúdo. Também é possível ver celulares, cadernos e um computador portátil fechados sobre a mesa, indicando um momento de trabalho em grupo ou oficina.
Queila (à esq., no centro) durante oficina sobre territorialização (Acervo/SMS)

UBS da zona leste trabalha prioridades definidas por núcleo
Na UBS Jardim Campos, localizada na região do Itaim Paulista, zona leste da capital, com a criação do Nuvis-AB, em 2022, a enfermeira Queila Moreira Correia passou a compartilhar a responsabilidade pela vigilância epidemiológica do território com um time formado por seis agentes comunitários de saúde (ACSs), um agente de promoção ambiental (APA), um dentista, uma farmacêutica, uma nutricionista e um médico, além da gestora da unidade.

“Isso tornou muito mais efetivo o nosso trabalho de levantar dados do território e implementar ações para prevenir agravos”, comenta Queila, que há 26 anos atua na rede municipal de saúde. 

Queila conta que, além das ações do dia a dia, o núcleo realiza um planejamento anual, com a implementação de planos de ação definidos a partir de questões observadas no território da UBS, que soma uma população de cerca de 20 mil pessoas. Em 2023, a UBS notificou seis casos de esporotricose felina e três casos de esporotricose humana. “Conseguimos controlar a doença e ainda acionamos a Uvis Itaim Paulista para a vacinação de todos os animais contra a raiva”, comenta a enfermeira.

Este ano, uma das prioridades definidas pelo grupo são as pessoas em situação de acumulação, para os quais os profissionais do Nuvis-AB deverão, a partir da análise de cada caso, elaborar um Plano Terapêutico Singular (PTS), envolvendo desde assistência psicológica até ações práticas relacionadas aos riscos à saúde oferecidos pelos itens acumulados.

Ao fim, analisa Queila, o Nuvis-AB está presente em praticamente todas as ações da UBS, praticando a territorialização no dia a dia. “Antes as ações de vigilância epidemiológica eram muito concentradas em uma pessoa, hoje somos um time, e cada profissional é responsável por disseminar as ações e boas práticas em sua área, o que promove mudanças, de fato”, conclui.

Formação e reconhecimento
Os Nuvis-AB também investem na formação permanente das equipes. A SMS promove oficinas, minicursos, encontros municipais, reuniões de apoiadores e produção de materiais técnicos e videoaulas para qualificar o processo de trabalho dos núcleos. Em 2025, foram realizados minicursos sobre habilidades de liderança voltadas à condução dos núcleos e oficinas regionais sobre organização do processo de trabalho e vigilância em saúde na Atenção Básica.

A experiência paulistana vem recebendo reconhecimento nacional pela capacidade de organizar as ações de Vigilância em Saúde dentro dos territórios. Os Nuvis-AB foram destaque no Prêmio Sampa em 2024, finalistas do Prêmio Hely Lopes Meirelles de Gestão Pública em 2025 e reconhecidos pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pelo Ministério da Saúde como uma experiência inovadora na Atenção Primária à Saúde, além de integrarem a Rede ColaboraAPS, da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/Fiocruz).

Com presença em todas as regiões da cidade, atuação multiprofissional e foco na prevenção e organização do cuidado, os Nuvis-AB consolidam uma estratégia que fortalece a capacidade da rede municipal de saúde em identificar riscos, antecipar problemas, qualificar o cuidado e responder de forma mais integrada às necessidades da população paulistana.

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