Secretaria Municipal da Saúde
Prefeitura de São Paulo inicia distribuição gratuita de sensores de glicose para crianças com diabetes tipo 1

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), iniciou nesta quinta-feira (18), a distribuição de sensores medidores contínuos de glicose para crianças de 2 a 12 anos com diabetes mellitus tipo 1 insulinodependentes. A entrega oficial dos dispositivos aconteceu durante cerimônia na Unidade Básica de Saúde (UBS) Malta Cardoso, localizada na zona oeste da capital.
A medida está prevista na Lei nº 18.306, de 29 de setembro de 2025, sancionada pelo prefeito Ricardo Nunes. A tecnologia será destinada às crianças já vinculadas ao Programa de Automonitoramento Glicêmico (Pamg) da rede municipal, com diagnóstico de diabetes tipo 1, prioritariamente cujos pais ou responsáveis estejam inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico). A primeira etapa do programa deve contemplar 1.584 crianças.
O prefeito Ricardo Nunes destacou que a nova política pública busca aliviar a rotina de milhares de famílias que convivem diariamente com o controle rigoroso da doença. Também ressaltou o impacto financeiro da medida. “Muitas famílias não conseguem pagar por isso e muitos planos de saúde sequer cobrem esse tipo de equipamento; a partir de agora é um direito das crianças poderem ter esse sensor e assim melhorar muito a sua qualidade de vida”.
Tecnologia por faixa etária
O fornecimento do equipamento será contínuo e a reposição dos sensores ficará sob responsabilidade da UBS que acompanha cada paciente.
O protocolo da SMS direciona tecnologias diferentes conforme a idade da criança. Para a faixa de 2 a 9 anos, o sensor será acompanhado de leitor dedicado, já que essa faixa etária tem menor autonomia para o autocuidado e maior dependência dos responsáveis para o monitoramento glicêmico. O leitor facilita a obtenção e a interpretação dos dados de glicose de forma rápida, segura e padronizada, reduz o risco de erros de leitura e de decisão clínica, e dispensa o uso de dispositivos pessoais adicionais por parte dos cuidadores.
Já para crianças de 10 a 12 anos, o sensor terá integração com aplicativo em smartphone. A faixa etária já apresenta maior desenvolvimento cognitivo e progressiva capacidade de autocuidado, o que permite a participação mais ativa da criança no manejo do diabetes, sempre sob supervisão dos responsáveis. O aplicativo oferece acesso contínuo e em tempo real aos dados de glicose, além de recursos como alarmes, tendências glicêmicas e compartilhamento remoto das informações com os cuidadores.
Para dar suporte à nova tecnologia, a pasta capacitou 511 profissionais distribuídos pelas cinco Coordenadorias Regionais de Saúde (CRSs).
Mudança para melhor
Entre as famílias beneficiadas está a dona de casa Roseli Alves dos Santos, de 47 anos, mãe de Pedro Felipe Alves dos Santos, de 11 anos. Diagnosticado com diabetes aos quatro anos de idade, Pedro precisava medir a glicemia entre cinco e oito vezes por dia por meio das tradicionais picadas nos dedos.
“Agora a vida vai mudar para melhor. Como ele vai fazer o monitoramento pelo sensor, evita a picada no dedo, que às vezes ele reclamava, sentia dor e chorava”, conta Roseli. Desempregada, ela afirma que não teria condições de arcar com o custo da tecnologia. “Eu não conseguiria pagar porque é um valor muito alto. Então, para mim, foi tudo de bom. Vai mudar o hábito dele.”
Pedro aprovou a novidade. “Só faz uma cosquinha para colocar, mas não dói. É muito melhor que as picadas. Eu ficava irritado porque doía, então gostei muito do sensor”, afirma.
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