Hospital do Servidor Público Municipal
Transtornos alimentares não são escolhas, são doenças

Por Alessandra Ueno
Não é só comer menos, não é só comer mais. Os transtornos alimentares ainda são um tabu para muitos, mas deveriam ser levados a sério. Conforme o parecer da Organização Mundial da Saúde (OMS), a Bulimia, Anorexia e Transtorno da Compulsão Alimentar são considerados doenças e vão além do psicológico.
Para entender melhor, o HSPM Responde convida Dra. Daniela Yone Veiga Iguchi Perez para detalhar e tirar dúvidas sobre esse tema.
1) O que são transtornos alimentares?
São doenças caracterizadas por hábitos alimentares irregulares, ou seja, a preocupação com o peso, a forma do corpo e até sofrimento são determinantes na alimentação. Os distúrbios alimentares incluem tanto a ingestão inadequada quanto a excessiva, o que pode prejudicar a saúde.
2) Quais tipos existem?
Os tipos mais comuns de transtornos alimentares são: a Anorexia Nervosa, Bulimia Nervosa e o Transtorno da Compulsão Alimentar.
3) Quais as diferenças entre eles?
Na anorexia nervosa, a pessoa tem um medo extremo de ganhar peso e possui uma percepção corporal distorcida. A limitação absurda da ingestão de comida e o pensamento de que estão com sobrepeso quando, claramente, estão desnutridos são as características mais marcantes. Essa doença pode causar danos cerebrais, insuficiência de múltiplos órgãos, perda óssea, entre outros, e o risco de morte é maior. A bulimia nervosa é caracterizada pela compulsão alimentar seguida por alguma ação que compensa esse excesso. Vômitos forçados, exercícios excessivos e uso de laxantes são alguns exemplos. Já no transtorno de compulsão alimentar periódica, diferente da bulimia, os indivíduos perdem o controle da alimentação, mas não realizam nenhuma ação compensatória. Pessoas que sofrem dessa condição têm maior probabilidade de ficarem obesas e desenvolverem outras doenças como problemas cardiovasculares.
4) Outras doenças podem ser atreladas a eles?
Transtornos alimentares podem aparecer com outras condições, como transtorno de ansiedade, abuso de substâncias ou depressão. A partir do desenvolvimento da compulsão alimentar, mais problemas podem surgir como doenças cardiovasculares, anemia, danos cerebrais, entre outros.
5) Essas doenças dependem somente do fator psicológico?
Não. Essas doenças são uma combinação de fatores, sejam eles psicológicos, biológicos ou ambientais. Desregulação hormonal, genética, deficiências nutricionais, baixa autoestima, imagem negativa do corpo, pressão estética, ambiente familiar disfuncional, entre outros pontos influenciam os transtornos alimentares.
6) Qual o melhor tratamento?
O tratamento é individual e envolve uma equipe multiprofissional. Cada caso exige uma abordagem diferente, mas geralmente envolvem psicólogos, psiquiatras e nutricionistas. Há a necessidade da reeducação alimentar e a ressignificação da relação do paciente com o próprio corpo. Na parte nutricional, o auxílio na qualidade e quantidade de alimentos faz a diferença, já que é preciso controlar as compulsões ou reintroduzir a comida, dependendo da situação.
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